domingo, 13 de setembro de 2015

MORANDO NUMA QUENTE ESTUFA

Francisco acorda no meio da noite,há uma sensação que sua tenra idade,não sabe decifrar,então Francisco chora.Acorda aqueles que ainda dormiam,ou agita aqueles outros tantos que em silêncio,acomodava sua agonia e sua dor.
Francisco têm 18 meses,é o décimo filho da dona Dilma casada com o lavrador Francisco pai.
São duas horas da madrugada,um cheiro forte ,adentra os espaços ...É o cheiro  que vem da varanda.Olfato,tato,audição,paladar,visão e todos os demais sentidos são aguçados.
Doze pessoas buscam dormir ,naquele único quarto improvisado,duas camas de casal,alguns colchões no chão úmido,é o que eles têm.
Uma estufa,construção agrícola usada para secar cacau,foi cedida pelo proprietário para moradia daquela família.Em tempos de secagem do cacau,eles se acomodam na pequena sala,que têm por varanda um curral...
_Para de chorar Francisco, a Assistente Social ,disse que não há lugar melhor no mundo para se morar...O calor que vem do forno e da chapa quente acima de nossas cabeças,nos serve de sauna,dormir todos assim,quase um sobre o outro,nos aproxima,o cheiro de esterco que provêm do curral,misturado a fumaça que nos sufoca,deve servir como medicina alternativa...Não possuir um banheiro,água tratada e alimentos é só um pequeno detalhe.
O senhor Francisco ao fim do dia de trabalho,tenta aliviar sua dor com uns goles de cachaça e agora ronca.A adolescente de apenas treze anos,pensa numa saída.O jovem de dezesseis anos,também lavrador ,cansado ,sente fome...E cada indivíduo daquela família geme ou cala suas dores.
A vulnerabilidade,a promiscuidade são pequenos detalhes também.
Um fio de esperança...Quem sabe a Assistente Social,que tanto encantou-se com tais condições de moradia,queira trocar sua" desconfortável "casa na cidade por esta aqui...Quem sabe ela de dieta ,envie sua feira...
_Vamos esperar Francisco...

LO



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